Operação Turko é deflagrada a partir das denúncias da SaferNet

Maio 18, 2009 por diapasaofarol

Brasília, 18/05/2009 – A Polícia Federal deflagrou na data de hoje, 18/05/2009, a Operação Turko (acrônimo do Orkut), com o objetivo de desmantelar uma rede de distribuição de pornografia infantil que utilizava o site de relacionamentos Orkut para veicular imagens de crianças de zero a doze anos vítimas de abuso sexual. As investigações tiveram início a partir de um consubstanciado relatório produzido e encaminhado pela SaferNet Brasil à CPI da Pedofilia instalada no Senado Federal, em 08 de abril de 2008.

O relatório continha 3261 URLs (páginas do Orkut) que foram objeto de denúncias anônimas da população através da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (www.denunciar.org.br), lançada em janeiro de 2006 pela SaferNet Brasil e operada em parceria com o MPF-SP desde março de 2006 e com a PF desde novembro de 2008. De posse do relatório, a CPI da Pedofilia aprovou, em 09/04/2008, requerimento determinando à Google Brasil Internet Ltda., responsável pelo Orkut, a transferência para a CPI do sigilo telemático dos usuários responsáveis pela criação das páginas suspeitas.

A Google entregou, em 23 de abril de 2008, um disco rígido (HD) contendo mais de 30 gigabytes de imagens publicadas nas páginas suspeitas e que estavam com o acesso bloqueado pela nova ferramenta de privacidade (conhecida como ‘cadeado dourado’) implementada no Orkut. Foi a primeira vez que a Google Brasil cumpriu uma ordem de transferência de sigilo de dados telemáticos de usuários do Orkut suspeitos de distribuir pornografia infantil.

De posse dos dados, os membros do grupo de trabalho da CPI (delegados federais, procuradores da república, promotores e procuradores de justiça e técnicos da SaferNet) iniciaram a triagem das imagens, concluída em junho. Foram identificadas 874 conexões de IP (número de protocolo de Internet, que identifica a máquina utilizada para a prática de um crime cibernético) no Brasil e 389 no exterior. Uma ferramenta desenvolvida pelos engenheiros da SaferNet e disponibilizada gratuitamente à CPI foi utilizada para gerar um mapa georeferenciado dos locais de conexão dos alvos investigados.

 

A CPI aprovou, em 26/06/2008, novo requerimento determinando às concessionárias de telecomunicações que informassem, no prazo de cinco dias, o endereço físico e os dados cadastrais dos usuários investigados a partir dos números IP alocados para o Brasil, sendo que as empresas levaram até três meses para responder à CPI, e boa parte dos dados apresentava problemas técnicos. Foram aproveitadas, por exemplo, apenas 34% das informações fornecidas pela NET, 43% dos dados da Brasil Telecom e 51% da Oi/Telemar. Somente os dados da Telefônica e da GVT atingiram 80% de utilização.

Em resposta, as empresas Brasil Telecom e Oi/Telemar assinaram, em 17/12/2008, Termo de Mútua Cooperação proposto pela CPI para evitar que tais inconsistências voltem a prejudicar outras operações no futuro. As demais operadoras, entretanto, não seguiram o exemplo das empresas signatárias e se recusaram a assinar o Termo de Cooperação com as autoridades brasileiras.

O aprofundamento das investigações pela PF permitiu a identificação dos 107 alvos da operação Turko, que resultaram em 92 mandados de busca e apreensão, cumpridos hoje. Para o fundador e presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares Nunes de Oliveira, a deflagração da operação Turko “representa o fim da impunidade no site de relacionamentos Orkut, e a prova definitiva da importância da cooperação entre a sociedade civil e o Estado no combate aos crimes cibernéticos contra os Direitos Humanos no Brasil”. “essa operação não seria possível sem a participação dos milhares de cidadãos brasileiros que denunciaram anonimamente as 3261 URLs suspeitas, através da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (www.denunciar.org.br)”, complementa.

Parceria da SaferNet com a PF e a SEDH

Assinado durante o III Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, no Rio de Janeiro, em 27/11/2008, o Termo de Mútua Cooperação entre a SaferNet Brasil, o Departamento de Polícia Federal (DPF) e a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), com a anuência do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), prevê a centralização do recebimento, processamento, encaminhamento e acompanhamento on-line das denúncias de pornografia infantil e crimes de ódio veiculadas através da web.

O sistema da SaferNet permite que as denúncias, após triagem e análise, sejam encaminhadas para a Polícia Federal e para os provedores de Internet, assegurando que o conteúdo ilegal seja removido, as provas preservadas e a investigação criminal seja instaurada.

Assim, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, criada pela SaferNet e operada em parceria com o Ministério Público Federal desde 2006, passa a funcionar de forma integrada com o canal federal de recebimento de denúncias de violência contra crianças e adolescentes. O DPF também passou a ter acesso irrestrito ao banco de dados da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos.

Os parceiros se comprometeram ainda a desenvolver conjuntamente estudos e pesquisas para criar e aperfeiçoar as tecnologias de enfrentamento aos crimes contra os Direitos Humanos praticados pela Internet e disponibilizá-las para as autoridades competentes. O intercâmbio de tecnologias e informações também ocorrerá por meio de cursos, oficinas e outras atividades de capacitação. Além disso, relatórios e notas técnicas serão produzidas para subsidiar a atuação das autoridades envolvidas no enfrentamento dos crimes contra os Direitos Humanos na Internet.

Parceria da SaferNet com o Ministério Público Federal (MPF)

A primeira Procuradoria da República (PR) do País a assinar Termo de Mútua Cooperação Técnica, Científica e Operacional com a SaferNet Brasil foi a de São Paulo, graças a uma parceria com o Grupo de Combate a Crimes Cibernéticos da PR neste Estado. Desde 29 de março de 2006, a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, criada pela SaferNet Brasil, é operada em parceria com o MPF/SP, com a finalidade de unir esforços para prevenir e combater a pornografia infantil, a prática de racismo e outras formas de discriminação, instrumentalizadas via Internet.

Os Procuradores da República têm acesso irrestrito ao banco de dados da SaferNet e o Termo de Mútua Cooperação também determina que todas as denúncias que envolvem provedores sediados em São Paulo devem ser encaminhadas à Procuradoria da República para investigação.

A SaferNet também já assinou Termo de Cooperação com as PRs do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás e Paraná. Ao receber as denúncias, o MPF instaura procedimento de investigação criminal e solicita os pedidos judiciais de quebra de sigilo telemático de dados.

Dentre os principais resultados da parceria, destaca-se a atuação conjunta que resultou na celebração, em 02/07/2008, do Termo de Ajustamento de Conduta com a Google Brasil (http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/criminal/acordo-poe-fim-a-disputa-judicial-entre-mpf-e-google/) e a organização do Safer Internet Day no Brasil (www.saferinternetday.org.br), em fevereiro de 2009.

 

Colaboração da SaferNet com a CPI da Pedofilia no Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia, criada em março de 2008, no Senado Federal, convidou formalmente, em 02/04/2008, a SaferNet Brasil para integrar o Grupo Técnico de Trabalho da Comissão. A SaferNet aceitou o convite e colocou a disposição 02 (dois) técnicos para trabalhar em tempo integral, voluntariamente, em Brasília, nas instalações da Comissão no Senado.

Uma das contribuições da SaferNet no Grupo de Trabalho foi a elaboração do Projeto de Lei 250/08, aprovado por unanimidade no Senado e na Câmara e sancionado pelo presidente da República no dia 25 de novembro de 2008. A nova lei criminaliza ações na Internet antes não previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, como a posse e o armazenamento de pornografia infantil e o aliciamento de meninos e meninas pela Internet. A nova lei permitiu as prisões em flagrante dos alvos da operação Turko que armazenavam pornografia infantil.

Em junho de 2008, a SaferNet cumpriu requerimento da CPI e entregou um relatório contendo 114.961 denúncias anônimas de supostos casos de pornografia infantil e pedofilia no Orkut, recebidas no período de 01 de janeiro a 30 de junho de 2008. As denúncias recebidas pela Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos envolvem 22.761 URLs diferentes, sendo 2.551 comunidades e 20.210 perfis no Orkut.

No dia 02 de julho de 2008, a CPI determinou o afastamento do sigilo telemático de 18.331 páginas do Orkut constantes no relatório da SaferNet. Quatro meses depois, em 05 de novembro de 2008, a Google entregou à CPI da Pedofilia as informações requisitadas, cuja triagem ainda está em curso no âmbito da CPI.

Em abril de 2008, a Google já havia repassado à CPI dados referentes a 3.261 álbuns trancados no Orkut e que constavam no primeiro relatório de denúncias entregue pela SaferNet para a CPI. As informações fornecidas pela Google permitiram, hoje, a deflagração da operação Turko.

COLETIVA:

A coletiva de imprensa conjunta da PF, MPF, CPI e SaferNet está marcada para as 14hrs de hoje, na sede da Polícia Federal em Brasília (SAS, Qd. 06, Lote 09/10, Brasília/DF) onde os resultados da operação Turko serão apresentados com mais detalhes.

 

Mais informações para a imprensa:

SaferNet Brasil: 0xx61 8105-8760 / 0xx71 3235-5910

Príncipe muçulmano resgata em discurso polêmica causada por Bento 16, que responde em tom acadêmico

Maio 9, 2009 por diapasaofarol

09papatabelaSe havia no Vaticano algum temor de que na visita que o papa Bento 16 faz ao Oriente Médio voltasse a trazer à tona algum tema de mal estar por polêmicas envolvendo a Igreja Católica e muçulmanos ou judeus, o Sumo Pontífice passou neste sábado pelo primeiro teste. O papa Bento 16, chefe da Igreja Católica, respondeu em tom acadêmico a um discurso do príncipe jordaniano Ghazi bin Muhammad bin Talal, muçulmano, resgatou uma polêmica causada no mundo islâmico por uma declaração que o papa fez em 2006.

No segundo dia de sua visita à Terra Santa, iniciada na sexta na Jordânia, o papa visitou, em Amã, a mesquita Hussein bin Talal, onde se encontrou com líderes islâmicos, diplomatas de vários países e reitores de universidades jordanianas.

Autor do discurso de recepção ao papa, o príncipe Ghazi bin Muhammad bin Talal, pouco depois depois de ressaltar que era a terceira vez na história que um pontífice visitava uma mesquita “nova” e a primeira vez na história que um papa visitava uma mesquita “nova” (construída em 2003), lembrou de uma das polêmicas causadas por declarações de Bento 16: uma declaração feita por ele em 13 de setembro de 2006 que foi recebida pelos muçulmanos de todo o mundo como uma crítica indireta a Maomé.

Naquela data, o papa falou a uma plateia da Universidade de Regensburg, na Alemanha, sobre fé, e citou um livro sobre um imperador e um persa do século 14. “O imperador falou: ‘Mostre o que Maomé trouxe, e achará coisas más, como a ordem para espalhar a fé pela espada’”, disse, enfatizando que era uma citação, e afirmou que “a violência é incompatível com a natureza de Deus”. Na época, a declaração gerou uma onda de protestos islâmicos em vários países. O Vaticano negou que ele quisesse dizer que o Islã era “violento”. Dias depois, Bento 16 disse que foi mal interpretado.
No discurso deste sábado, o príncipe Ghazi agradeceu ao papa pelo “arrependimento” que expressou depois da mágoa que aquela fala causou aos muçulmanos. “É claro que os muçulmanos sabem que nada dito ou feito neste mundo pode atingir o profeta…Eles também estimaram especialmente o esclarecimento pelo Vaticano de que o que foi dito não refletia a opinião de Sua Santidade, mas era simplesmente uma citação em uma palestra acadêmica”, afirmou.

O príncipe prosseguiu, lembrando que mal-entendidos sobre muitas das palavras e ações de Maomé “infelizmente são responsáveis pela tensão histórica e cultura entre cristãos e muçulmanos”. Longo, o discurso não teve um tom duro, e bateu várias vezes na tecla da importância do papel do papa no diálogo entre as religiões e na pregação da paz.

Bento 16 discursou em seguida, em tom também ameno, e não tocou diretamente no assunto polêmico, embora não deixasse de “responder”. Começou agradecendo o príncipe por suas “gentis palavras de boas vindas”. Em seguida, afirmou que “as tensões e divisões entre os fiéis de diferentes tradições religiosas, tristemente, não podem ser negadas”. “Entretanto, não é também o caso de que com freqüência a manipulação ideológica da religião, às vezes com fins políticos, é o verdadeiro catalisador de tensão e divisão, e também de violência na sociedade?”, perguntou.

“Muçulmanos e cristãos, precisamente por causa das dificuldades de nossa história em comum, tantas vezes marcada por mal-entendidos”, devem hoje buscar serem reconhecidos pela fé em Deus que marca a sua origem comum. “Eu acredito firmemente que cristãos e muçulmanos podem se abraçar”, disse, após citar iniciativas educacionais que a Igreja Católica mantém na Jordânia e que atendem também a população muçulmana (na Jordânia, 92% da população é formada por muçulmanos e 6% são cristãos, em sua maioria ortodoxos).

Aos que assistiram (em resumo, autoridades cristãs e muçulmanas locais, diplomatas, reitores de universidades e jornalistas, pois o evento não foi aberto ao público em geral), ficou a sensação, após os dois discursos, de uma aula sobre os desafios da convivência entre religiões diferentes, tema por onde passa a “peregrinação da paz” de Bento 16 nessa viagem.

“Respeito mútuo

O padre Nabil Haddad, presidente do Royal Institute for Interfaith Dialogue (Instituto Real para o Diálogo Entre Entre Crenças) da Jordânia, que esteve na cerimônia na mesquita com o papa, disse, em conversa com os jornalistas antes da chegada de Bento 16 ao local, que questões polêmicas do passado não devem voltar à tona. “Devemos nos mover para o futuro, com grande esperança, e não ficar olhando para o passado”, disse. “Religião trata de perdão”, afirmou.

Haddad repetiu o que a maior parte dos líderes religiosos tem dito durante essa passagem do papa pela Terra Santa, e que parece ter virado um lema na Jordânia, que tenta servir de exemplo para os vizinhos da região de constantes conflitos: “A grande esperança que temos para o futuro é da construção de compreensão e respeito mútuo.”

fonte: uol

Filhos de Lugo viram tema de bastidores de reunião da CNBB, diz bispo vizinho ao Paraguai

Abril 29, 2009 por diapasaofarol

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil está reunida desde o último dia 22 para discutir a formação dos padres, mas o tema celibato não é o foco, como parte da imprensa relatou. Mesmo assim, o caso de Fernando Lugo, presidente paraguaio que enfrenta três processos de paternidade da época em que era bispo católico, é discutido nos corredores “em conversas informais”, como relata Dom Redovino Rizzardo, da diocese de Dourados (MS), área limítrofe com o país vizinho.

“A impressão que dá é que ele tinha mais vocação política que eclesiástica”, afirmou o bispo à reportagem do UOL Notícias em entrevista que falou também de outros temas, como a política indigenista.

Em sua diocese há 25 aldeias, muitas com casos de suicídio entre os guaranis, além de assassinatos por envolvimento com o narcotráfico – anos atrás a tragédia local eram as mortes de crianças por desnutrição. Ele defende que os índios não podem mais viver “da caça e da pesca” e precisam conversar com produtores agrícolas para resolver os conflitos por terra. Leia abaixo os principais trechos da conversa que aconteceu em um intervalo da 47ª Assembleia Geral da CNBB, que ocorre em Indaiatuba (SP) até sexta feira (1º/5).

UOL Notícias – O tema principal do encontro de bispos é a formação dos padres. A questão do celibato está sendo discutida?
Dom Redovino Rizzardo –
Queremos uma formação aprimorada, incluindo o aspecto psicológico para que o religioso se doe mais e melhor para o povo, para que mostre seu amor para o povo. Para reconfortar o celibatário, há 20 anos a Igreja usa a psicologia, para qual tinha certa reserva, principalmente a linha freudiana que liga tudo ao sexo. Mas o celibato é só parte da formação e não está em questão sua mudança.

UOL Notícias – Qual é a sua opinião sobre o caso de Fernando Lugo, que devolveu ao noticiário o tema do celibato clerical?
Dom Rizzardo –
Alguns jornais falaram que foi tema de discussão até na assembleia, mas se falou disso só em conversas informais, nos corredores. A impressão que dá é que ele tinha mais vocação política que eclesiástica. Acho que ele escolheu fazer política e começou entrando para a Igreja. Espero que se sinta feliz com a vida de presidente e de pai. Não podemos julgar seus atos, ele que deve prestar contas à sua consciência.

UOL Notícias – Sua diocese tem forte presença indígena. Qual é a sua posição para a atual política indigenista?
Dom Rizzardo –
O índio não pode mais viver da caça e da pesca porque as florestas são poucas na região. Tem que haver um incentivo para que ele produza em suas terras, como os guaranis faziam um tempo atrás. Hoje, muitos sobrevivem com cestas básicas e não querem mais plantar. Por outro lado, eles tinham que se sentar à mesa com os produtores agrícolas e acertar suas diferenças sobre a demarcação da terra.

UOL Notícias – O senhor criticou a posição do Cimi (Conselho Missionário Indigenista) sobre a posição dessa entidade católica ligada à CNBB na questão da demarcação. Por que isso?
Dom Rizzardo –
Os dois lados têm que conversar para chegar a uma solução pacífica, não adianta defender um só lado. Não concordo que se faça justiça aos direitos dos índios com a injustiça sobre os direitos dos produtores. O Cimi não responde pela posição da Igreja ou dos bispos do Mato Grosso do Sul. O tema indígena é tão importante que mereceria até um ministério, mas defender um só ponto de vista é querer radicalizar a situação.

UOL Notícias – Sua região entra no noticiário justamente por problemas sociais. Primeiro com as mortes de crianças guarani por desnutrição, depois os suicídios entre índios. Por que existe esse quadro em sua diocese?Justamente pela falta de perspectiva em um futuro que os índios se suicidam. A fome nas aldeias melhorou com a distribuição de bolsas de auxílio e cestas básicas. A proximidade das aldeias de cidades e da fronteira do Paraguai também coloca os territórios indígenas na rota do narcotráfico, gerando mortes entre os índios que se envolveram nesse negócio. Nosso trabalho é mais social que religioso na região, afinal muitos índios são evangélicos ou praticam suas crenças.

Dom Rizzardo -

UOL Notícias – A reunião da CNBB deste ano é sobre um tema interno, a formação dos sacerdotes. Anteriormente, a assembleia geral era voltada para temas sociais. É uma mudança em uma época que o papado é do conservador Bento 16?
Dom Rizzardo –
Os temas sociais têm espaço, com discussões sobre o tema indígena ou dos conflitos agrários. Mas a formação dos padres também é importante nesse aspecto porque não queremos um presbítero aburguesado. A função do padre é intrinsecamente social, sem precisar estar ligado a uma ideologia de esquerda. Essa é a mesma posição de nosso Papa.

fonte: UOL

Por uma Declaração Universal dos Deveres Humanos

Fevereiro 15, 2009 por diapasaofarol

 

Estamos no apagar das luzes de mais um Fórum Social Mundial, palco preferido das esquerdas minoritárias de paises dos dois hemisférios e de grande divulgação de panfletos com loas humanistas. Embora a eficácia de eventos como esse possa ser contestada, é certo que a sua realização há mais de meia década preenche uma necessidade de expressão das reivindicações da sociedade, principalmente no que diz respeito a direitos trabalhistas e ativismo ecológico.

A cartilha modernista ensinou que o homem deve ocupar o centro do pensamento, sendo causa e conseqüência das suas motivações. Para que essa idéia ganhasse forma e crescesse foi necessária uma ruptura com os princípios e valores vigentes numa época que o olhar humano mirava o transcendente como aspiração segura a ser conquistado pela virtude cristã.

Desse maneira, o pensamento moderno substituiu a transcendência cristã pelo humanismo imanentista – conceito filosófico que afirma que Deus e o mundo são a mesma coisa; alguns anos depois essa idéia deu lugar a tese de que, ao invés de Deus haver criado o homem, Deus é uma criação humana. Naturalmente, este pensamento se estabelece ao deslocar os princípios espirituais e religiosos para segundo plano deixando em evidência os ideais materiais e terrenos. Nessa situação, o homem inteiramente entregue aos cuidados mundanos, primeiro se esquece das coisas transcendentes, e, depois, querendo ser coerente, nega-as.

Por outro lado, ao ser colocado como peça central do pensamento humanista moderno, o homem deve corresponder a essa expectativa tornando-se valoroso, humanamente valoroso. O bem deixa de ser um valor espiritual exercitado pela crença num princípio divino para ser um objeto de consumo almejado pelo homem ajustado a uma moral social cuja fundamentação filosófica garante que através da equidade, da igualdade entre os homens, se atribui dignidade a esse homem e se alcança finalmente a justiça. 

Foi assim que pensadores como Locke, Rousseau, Montaigne e Wolf contribuíram para o surgimento e o desenvolvimento do que hoje se conhece como direitos humanos. Quando Montaigne afirmou que “todo homem traz consigo a inteira humana condição” o fez dentro do princípio de imanência (qualidade daquilo que provém ou que está contido num ser) e durante o século XVI, justamente nesse período em que o homem desenvolveu uma nova percepção sobre sua relação com o mundo. 

Foram necessários mais de trezentos anos para que o homem conseguisse sintetizar esses ideais na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948, sendo que já no seu artigo primeiro encontramos o postulado que Rousseau fizera duzentos anos antes: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos”, consoante também ao pensamento que predominou durante o século XVII na pena de John Locke. Os direitos trabalhistas somente foram sendo incorporados ao pensamento moderno a partir da revolução industrial, no século XIX.

Uma leitura rápida, mesmo que superficial, dos trinta artigos que compõem a Declaração de 1948 revela o grau de dificuldade que o homem enfrenta hoje se quiser fazer cumprir o seu próprio mandamento, a sua lei moral. No artigo 4° encontramos que “ninguém será mantido em escravidão ou servidão”, o sexto proclama que “todo ser humano será reconhecido como pessoa perante a lei”, o 7° diz que “toda pessoa deve ter acesso à justiça para reparar violação aos seus direitos” e assim por diante. Um dos mais difíceis de garantir é o 12°, que afiança que “ninguém sofrerá interferência em sua vida privada, nem ataques a sua honra e reputação”. Até chegar ao 30° encontraremos garantias ao direito de propriedade, bens de consumo, trabalho, participação social e cultural, etc.

A primeira e principal barreira a ser superada é a da identificação dos agentes responsáveis pela efetivação dos direitos. Quem são eles: os políticos, os juristas, os filósofos, os economistas, os sociólogos? Quem são, uma vez que a sua fundamentação é indissociável dos problemas históricos, políticos, econômicos e sociais. Bobbio, por exemplo, considera que não se trata de um problema filosófico ou jurídico, mas político. Assim, sua problemática escorregou para o campo do relativismo. De acordo com o professor Marconi Pequeno, “a relatividade das experiências jurídicas, em razão da diversidade cultural, afasta a possibilidade de se dotar os princípios gerais do direito de um conteúdo comum”.

Como conseqüência inicial temos que a medida que aumentam os direitos civis, políticos e sociais, aumenta também a descrença acerca das possibilidades objetivas de realização dos direitos humanos. Aumentam também os questionamentos sobre o grau de utopia contida na carta dos Direitos Humanos. A satisfação completa das necessidades sociais e econômicas é realizável? O Estado é capaz de atender a todas essas demandas e libertar o ser humano do reino da necessidade?

Cada vez mais o homem se depara com a dificuldade de conquistar uma emancipação social através da concepção do “absolutismo” moral construído por ele mesmo pois, no estágio atual, isso significa romper com a idéia do liberalismo individualista que tanto o seduz e satisfaz. Esse conflito demonstra também a inabilidade do ser humano em lidar com os problemas referentes à violência e, principalmente, à prática deliberada do mal.

Uma luz pode ser lançada nesse dilema e ela provém de uma mudança de perspectiva frente a essa questão. Primeiro, ao longo desses anos o homem abordou esse assunto no âmbito coletivo por causa do princípio da igualdade. Segundo, ao colocar em foco a questão dos direitos, a escuridão pairou sobre os deveres. Desse modo, é necessário responsabilizar individualmente o agente que deverá garantir o direito que se pretende estabelecer ao mesmo tempo em que se constituem suas obrigações perante a sociedade. E esse, realmente, é o cerne da questão moral: o compromisso do indivíduo com a sociedade, com a coletividade, em prol do bem comum. 

Mas esse não era o discurso cristão da Idade Média, resumido nas palavras de Cristo: “Ama a Deus acima de todas as coisas, e ao teu próximo como a ti mesmo”? Não seria melhor para o homem deixar a arrogância que o fez trilhar nesse caminho e reconhecer que somente através da prática (dever) da caridade, como mandamento divino, ele poderá efetivar os direitos humanos?

Miles de cristianos huyen de los ataques islamistas en Irak

Outubro 14, 2008 por diapasaofarol

Cerca de 3.750 cristianos iraquíes se han visto obligados a huir de sus casas en Mosul, la tercera ciudad del país, situada a 400 kilómetros al norte de Bagdad, desde el 4 de octubre, cuando grupos radicales suníes incrementaron sus ataques contra esta minoría religiosa, según un responsable local.

“Hemos registrado que 744 familias cristianas han abandonado Mosul. La mayoría se aloja en iglesias y monasterios de las ciudades más próximas o en aldeas donde hay más cristianos. (…) El número de desplazados se incrementa dramáticamente cada hora”, afirma el director provincial del Ministerio de Desplazamiento y Migraciones, Jawdat Ismaiel, que anuncia el levantamiento de campamentos de desplazados si fuera necesario.

No hay una estimación exacta de la población cristiana en Irak, aunque se tiene constancia de que cientos de miles de cristianos han huido del país desde la invasión liderada por EE UU en 2003 al temer los ataques de los extremistas religiosos suníes y chiíes, informa la agencia de noticias humanitarias de la ONU (IRIN). En la época de Sadam Husein, representaban cerca del 3% de los 28 millones de habitantes, según el censo oficial.

La presión sobre ellos es enorme en Mosul. Sufren constantes amenazas de muerte y extorsiones. Es frecuente que se les exija la conversión al islam o el pago de la yizyia, un antiguo impuesto que debían entregar a los musulmanes a cambio de protección.

Desde que se reanudaran los ataques contra cristianos el 4 de octubre han muerto 13 personas. El último fue un comerciante asesinado ayer, cuando hombres con el rostro cubierto irrumpieron en un establecimiento de instrumentos musicales y abrieron fuego contra la víctima y su sobrino, quien resultó gravemente herido.

Según la policía, siete de los muertos fueron secuestrados primero. Sus cuerpos aparecieron después con signos visibles de haber sido torturados y ejecutados. Fuentes cristianas acusan a los cuerpos de seguridad de estar detrás de esta campaña. El portavoz del Gobierno iraquí, Alí al Dabag, anunció que el Consejo de Seguridad Nacional ha decidido crear un comité especial para investigar las intimidaciones que sufren los cristianos en Mosul y que ha ordenado el despliegue de otros 1.000 policías más.

Por otra parte, el primer ministro iraquí, Nuri al Maliki, ha realizado unas declaraciones, publicadas ayer por The Times londinense, de las que se desprende un enfado con las decisiones del Gobierno británico. Asegura que las tropas británicas situadas en Basora deben marcharse porque no son necesarias: “Les agradecemos su labor, pero creo que su permanencia no es necesaria para mantener la seguridad y el control”.

Maliki había calificado de prematura la decisión el año pasado de Reino Unido de trasladar sus fuerzas desde su base en el palacio de Basora al aeropuerto a las afueras de la ciudad. Según él, se trató de un acuerdo secreto entre Reino Unido y la milicia chií del Ejército del Mahdi, del clérigo radical Múqtada al Sáder.

En el proceso de normalización de relaciones con Irak, Siria ha enviado su primer embajador a Bagdad en varias décadas, según anunció ayer el Gobierno iraquí. Se trata del último paso dado por un país árabe para fortalecer los lazos diplomáticos con el régimen de Maliki.

fonte: El País

LHC e o desperdício de tempo e dinheiro

Setembro 24, 2008 por diapasaofarol

A folha on line publicou em 23/09/08

“Vazamento deixa “máquina do Big Bang” sem funcionar até 2009

O LHC (Grande Colisor de Hádrons), considerada a maior máquina já construída pelo homem, não vai retomar suas atividades até o segundo trimestre do ano que vem, devido a um vazamento. O anúncio foi feito nesta terça-feira (23) pelo Cern (Centro de Física Nuclear Europeu). Um vazamento de hélio no túnel do LHC, aparentemente por causa de uma ligação elétrica defeituosa entre dois ímãs, fez com que a máquina tivesse de ser desligada menos de dez dias após entrar em funcionamento.

O superacelerador de partículas promete desvendar grandes segredos do Universo, como a origem da massa e a misteriosa matéria escura. A máquina tentará reproduzir o Big Bang, que é apontado como a explosão que deu origem ao Universo. Depois de 14 anos de construção e pesquisa e um investimento de quase US$ 10 bilhões, o primeiro acionamento do superacelerador LHC foi considerado um sucesso.”

Eu sei que muitos ficaram decepcionados com a paralização de mais este experimento. Depois de um primeiro dia de sucesso os quatro cantos desta abóboda estavam na expectativa de algo de grande impacto que justificasse o investimento de US$ 10 bilhões “para o benefício de toda a humanidade”.

Penso ser um desperdício duplo toda essa parafernália montada no meio da Europa. Um desperdício de tempo e de dinheiro. Creio que os cientistas estão perdendo tempo numa experiência de alcance bastante duvidoso quando poderiam estar pesquisando formas de reaproveitamento do solo para plantio, aumento de safra de alimentos, técnicas de irrigação e drenagem, energia limpa e tantas outras necessidades reais que desafiam o homem pós-moderno e suas metrópoles caóticas.

Certamente que não desintegrariam tantos bilhões assim…

E com as poucas migalhinhas que sobrasse poderia ainda tentar socorrer os 900 milhões de famintos e miseráveis, isto é, 15% da população mundial, tentando mostrar que realmente o ser humano, como espécie, se preocupa com a sua preservação.

Eu sei que hoje esta em moda socorrer a terra enquanto planeta, habitat, e esse discurso ecológico é muito bem aceito. Porém, de que serviria uma terra bem conservada sem habitantes…. A menos que a idéia seja deixá-la para poucos, muito poucos!!!

Por outro lado, se consideramos a existência do Eterno, tudo isso parece de uma prepotência tal da parte do homem que duvido que seja bem sucedido.

Homem x Deus

Maio 30, 2008 por diapasaofarol

A vida humana anda meio banalizada mesmo neste mundo. Quando ouvimos os discursos de preservação ambiental não vemos ninguém se manifestando contra porque é “politicamente correto”. No entanto, também se mata tantos animais em nome da ciência e da pesquisa. O que deve ser diferenciado é que o homem é um ser superior dotado de alma; o animal não, apesar de haver sido criado pelo mesmo Deus, assim como toda a terra.

 

Para aqueles que são a favor da pesquisa e do tratamento com células-tronco, deixar as “tradições” equivale a romper com qualquer princípio que norteia a criação humana, mesmo que isso, passados alguns anos, redunde em pesquisas com homens de verdade e não somente embriões. Tudo em nome da ciência e do bem estar do próprio homem, claro.

 

Realmente é uma questão difícil estabelecer em que momento a alma passa a existir, se no embrião, ou quando este nasce, pois trata-se de um milagre e, como tal, atributo divino, porém admite-se que o embrião, quando concebido,  já dispõe de toda a informação genética para o seu desenvolvimento. Segundo esse raciocínio, podemos considerar que a sua alma já esteja presente. Porém, como saber ao certo? Queremos substituir o papel de Deus, e ousamos agir como ele (quando o homem quer clonar animais e seres humanos) em nome da pesquisa científica. Será que não há outro caminho pra “ciência”?

 

A questão também vai mais além, porque a mera aprovação pelo STF, não deixará isento o responsável diante da justiça do criador.

 

 

 

Bíblia é o livro mais lido no Brasil

Maio 29, 2008 por diapasaofarol

O estudo, elaborado pelo Instituto Pró-Livro, mostra que população está acostumada a dedicar muito pouco –ou quase nenhum– tempo aos livros. Do total dos leitores, 55% são do sexo feminino, público maior em quase todos os gêneros da literatura -os homens lêem mais apenas sobre história, política e ciências sociais.

Segundo a pesquisa, a Bíblia é o livro mais lido pela população brasileira –43 milhões de pessoas já a leram, dos quais 45% afirmaram fazê-lo com freqüência.

O segundo colocado é o livro “O Sítio do Picapau Amarelo”, de Monteiro Lobato, apontado como o escritor mais lido no Brasil. A lista dos escritores brasileiros mais lidos inclui ainda, pela ordem, além de Lobato, Paulo Coelho, Jorge Amado e Machado de Assis.

As mulheres lêem mais que os homens, diz a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, que será divulgada hoje, em Brasília.

O relatório aponta que os classificados como não-leitores estão na base da pirâmide social: 28% deles não é alfabetizado e 35% estudou só até a 4ª série do ensino fundamental. Metade do grupo pertence à classe D e a maioria possui renda familiar de 1 a 2 salários-mínimos. 

 Entre os motivos para não ler, a falta de tempo aparece como o mais apontado, com 29%. Outros 28% não lêem porque não são alfabetizados e 27% porque não gostam ou não têm interesse. Entre as limitações, 16% afirmaram que possuem um ritmo lento de leitura e outros 7% disseram não compreender a maior parte do que lêem. O relatório ressalta que a leitura aparece em quinto lugar entre as atividades preferidas dos entrevistados, ficando atrás de ver televisão, ouvir música, ouvir rádio e descansar.

 As regiões Norte e Nordeste, que apresentam os menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, também registraram as menores médias de leitura por habitante/ano: 3,9 e 4,2 respectivamente. A média nacional é de 4,7 livros ano/habitante.

 Para o presidente do Instituto Pró-livro, Jorge Yunes, o baixo resultado está vinculado aos níveis de escolaridade nessas regiões.

 - O incentivo [à leitura] nas escolas é muito importante, o governo tem que trabalhar para que esse índice seja igual no Brasil inteiro. Se a escolaridade aumentar, com certeza a leitura aumenta também – apontou Yunes.

Martini pide la reforma de la Iglesia

Maio 25, 2008 por diapasaofarol

El influyente cardenal elogia a Lutero, defiende el debate sobre el celibato y la ordenación de mujeres y reclama una apertura del Vaticano en materia de sexo

Cardenal Martini

“La Iglesia debe tener el valor de reformarse”. Ésta es la idea fuerza del cardenal Carlo Maria Martini (Turín, 1927), uno de los grandes eclesiásticos contemporáneos. Con elogios al reformador protestante Martín Lutero, el cardenal le pide a la Iglesia católica “ideas” para discutir hasta la posibilidad de ordenar a viri probati (hombres casados, pero de probada fe), y a mujeres. También reclama una encíclica que termine con las prohibiciones de la Humanae Vitae, emitida por Pablo VI en 1968 con severas censuras en materia de sexo.

El cardenal Martini ha sido rector de la Universidad Gregoriana de Roma, arzobispo de la mayor diócesis del mundo (Milán) y papable. Es jesuita, publica libros, escribe en los periódicos y debate con intelectuales. En 1999 pidió ante el Sínodo de Obispos Europeos la convocatoria de un nuevo concilio para concluir las reformas aparcadas por el Vaticano II, celebrado en Roma entre 1962 y 1965. Ahora vuelve a la actualidad porque se publica en Alemania (por la editorial Herder) el libro Coloquios nocturnos en Jerusalén, a modo de testamento espiritual del gran pensador. Lo firma Georg Sporschill, también jesuita.

Sin tapujos, lo que reclama Martini a las autoridades del Vaticano es coraje para reformarse y cambios concretos, por ejemplo, en las políticas del sexo, un asunto que siempre desata los nervios y las iras en los papas desde que son solteros.

El celibato, sostiene Martini, debe ser una vocación porque “quizás no todos tienen el carisma”. Espera, además, la autorización del preservativo. Y ni siquiera le asusta un debate sobre el sacerdocio negado a las mujeres porque “encomendar cada vez más parroquias a un párroco o importar sacerdotes del extranjero no es una solución”. Le recuerda al Vaticano que en el Nuevo Testamento había diaconesas.Son varios los periódicos europeos que ya se han hecho eco de la publicación de Coloquios nocturnos en Jerusalén, subrayando la exhortación del cardenal a no alejarse del Concilio Vaticano II y a no tener miedo de “confrontarse con los jóvenes”.

 

Precisamente, sobre el sexo entre jóvenes, Martini pide no derrochar relaciones y emociones, aprendiendo a conservar lo mejor para la unión matrimonial. Y rompe los tabúes de Pablo VI, Juan Pablo II y el papa actual, Joseph Ratzinger. Dice: “Por desgracia, la encíclica Humanae Vitae ha tenido consecuencias negativas. Pablo VI evitó de forma consciente el problema a los padres conciliares. Quiso asumir la responsabilidad de decidir a propósito de los anticonceptivos. Esta soledad en la decisión no ha sido, a largo plazo, una premisa positiva para tratar los temas de la sexualidad y de la familia”.

El cardenal pide una “nueva mirada” al asunto, cuarenta años después del concilio. Quien dirige la Iglesia hoy puede “indicar una vía mejor que la propuesta por la Humanae Vitae“, sostiene.

Sobre la homosexualidad, el cardenal dice con sutileza: “Entre mis conocidos hay parejas homosexuales, hombres muy estimados y sociales. Nunca se me ha pedido, ni se me habría ocurrido, condenarlos”.

Martini aparece en el libro con toda su personalidad a cuestas, de una curiosidad intelectual sin límites. Hasta el punto de reconocer que cuando era obispo le preguntaba a Dios: “¿Por qué no nos ofreces mejores ideas? ¿Por qué no nos haces más fuertes en el amor y más valientes para afrontar los problemas actuales? ¿Por qué tenemos tan pocos curas?”

Hoy, retirado y enfermo -acaba de dejar Jerusalén, donde vivía dedicado a estudiar los textos sagrados, para ser atendido por médicos en Italia-, se limita a “pedir a Dios” que no le abandone.

Además del elogio a Lutero, el cardenal Martini desvela sus dudas de fe, recordando las que tuvo Teresa de Calcuta. También habla de los riesgos que un obispo tiene que asumir, en referencia a su viaje a una cárcel para hablar con militantes del grupo terrorista Brigadas Rojas. “Los escuché y rogué por ellos e incluso bauticé a dos gemelos hijos de padres terroristas, nacidos durante un juicio”, relata.

“He tenido problemas con Dios”, confiesa en un determinado momento. Fue porque no lograba entender “por qué hizo sufrir a su Hijo en la cruz”. Añade: “Incluso cuando era obispo algunas veces no lograba mirar un crucifijo porque la duda me atormentaba”. Tampoco lograba aceptar la muerte. “¿No habría podido Dios ahorrársela a los hombres después de la de Cristo?” Después entendió. “Sin la muerte no podríamos entregarnos a Dios. Mantendríamos abiertas salidas de seguridad. Pero no. Hay que entregar la propia esperanza a Dios y creer en él”.

Desde Jerusalén la vida se ve de otra manera, sobre todo las parafernalias de Roma. Martini lo cuenta así: “Ha habido una época en la que he soñado con una Iglesia en la pobreza y en la humildad, que no depende de las potencias de este mundo. Una Iglesia que da espacio a las personas que piensan más allá. Una Iglesia que transmite valor, en especial a quien se siente pequeño o pecador. Una Iglesia joven. Hoy ya no tengo esos sueños. Después de los 75 años he decidido rogar por la Iglesia”.

ElPais.com

A falácia da inclusão digital através das Lan Houses

Maio 19, 2008 por diapasaofarol

Um dado recente divulgado na pesquisa de domicílios realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil atesta com números aquilo que nossos olhos têm contemplado diariamente em cada esquina das capitais brasileiras: a crescente presença das Lan Houses que oferecem o acesso a Internet cada vez mais barato; aqui em Maceió, por exemplo, chega a R$ 1,00 a hora.

Os números do TIC Domicílios 2007, baseado em informações coletadas no segundo semestre do ano passado, comprovam que o acesso a Internet feito através das Lan Houses já superou o acesso domiciliar, sendo que 49% da população pesquisada fazem uso desse tipo de serviço.

Poderia ter começado este texto destacando outros números desse levantamento domiciliar como o aumento do ritmo de aquisição de computadores (o povo está comprando mais) ou o fato de pelo menos 53% da população já ter usado o computador ou 34% ter acessado a Internet nos últimos três meses, no entanto optei pela informação do local de acesso porque ela revela uma distorção terrível na diminuição daquilo que um dia já foi chamado de abismo digital.

Revela também o tamanho do fracasso do programa de inclusão digital do governo federal enquanto fornecedor do meio físico (apenas 6% acessam a internet através de telecentros ou locais públicos gratuitos) e, principalmente, como interpretador dos números pois, de acordo com o relatório, esse crescimento das Lan Houses “mostra que a iniciativa privada vem contribuindo de forma efetiva para amenizar o problema social da exclusão digital no país.”

Primeiro queremos esclarecer que a iniciativa privada não investe nessa área com o objetivo específico de “cuidar de um problema social”, no caso – a inclusão digital, senão que esses pequenos empresários têm aproveitado a brecha existente entre a necessidade de acesso da população e a falta de oferta de serviço público, aonde os programas oficiais não chegam devido às suas dificuldades financeiras e burocráticas.

Em segundo lugar gostaríamos de avaliar o tópico das atividades desenvolvidas na Internet, onde ganha destaque a comunicação, neste item considerado o envio de e-mail, o envio de mensagens instantâneas e a participação em sites de relacionamentos. Há alguma ênfase também para a pesquisa escolar, mas a grande maioria se aproxima da internet como um veículo de lazer e entretenimento (filmes, músicas, jogos, software, etc).

Por essas duas razões, inicialmente, não podemos concordar com o relatório no tocante à diminuição da exclusão digital. Não concordamos com uma inclusão digital que consiste no usuário valer-se do MSN e do Orkut, as principais “ferramentas” utilizadas nas Lan Houses. Não podemos chamar de inclusão digital um “fenômeno” quase espontâneo que não vislumbra um programa de metas e resultados, que se preocupe com o ambiente operacional e o conteúdo a ser trabalhado, que ofereça a possibilidade de inserção no mercado de trabalho, para citar apenas algumas questões.

As Lan Houses tem conseguido essa proeminência devido ao público que as freqüentam. O documento do CGI revela que o seu usuário é jovem, entre 10 e 24 anos, com renda familiar de menos de 2 salários mínimos, ainda não concluiu o Ensino Médio e tem presença marcante nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Ou seja, ao contrário do usuário da classe A e B, que acessa a Internet em seu domicílio, do seu próprio computador, as classes C, D e E, que não tem computador em casa, encontraram nesses locais públicos uma maneira viável de acesso a tecnologia e, hoje, ainda são maioria no Brasil.

Mas, conforme já escrevemos, considerar esse acesso como inclusão é um erro primário pelas razões que queremos expor a seguir:

1) Cremos que um programa de inclusão digital deve ser de iniciativa do poder público ainda que a sua execução possa ter o apoio de instituições do terceiro setor, as ONGs ou OSCIPs;
2) Mais importante do que o próprio computador (se é laptop, PC, monitor LCD, etc), o programa deve prever a utilização de software gratuito nas bases do Open Source;
3) Uma condição elementar é a gratuidade do sistema, ou seja, o acesso deverá ser gratuito para a totalidade dos usuários ou a sua maioria;
4) O público alvo deve ser previamente definido dentro de uma comunidade específica;
5) O programa deverá oferecer oportunidades de inserção no mercado de trabalho através do acesso às novas tecnologias e do seu uso;
6) O instrutor do projeto deverá trabalhar noções de Segurança e Privacidade, Cidadania e Ética Digital;
7) O instrutor deverá adequar o uso das ferramentas disponíveis ao currículo escolar do usuário;
8) O projeto deverá contemplar uma política de conteúdos diferenciados tanto off line como em ferramentas interativas;
9) O usuário será considerado alfabetizado e educado digitalmente se demonstrar conhecimento e domínio das novas tecnologias e se souber produzir novos conteúdos;
10) O sistema deverá gerar uma biblioteca de conteúdos digitais produzidos pelos usuários.

 Eduardo Vasconcellos é coordenador técnico do Telecentro Manoah